Velha estrada para o oeste
Não voltarei jamais
Se voltar, já não será o mesmo caminho
Pois suas curvas já não tem a mesma intensidade
Sua retas já não emocionam como antes
Suas veredas agora torturam
Velha estrada, só me legou dor de saudade.
Velha estrada para o oeste
Não voltarei jamais
Suas pontes hoje ligam apenas o passado
Os rios que te cortam
São lágrimas das mágoas que ficaram
Já não há alegria, como um dia houve
Em tu, ó estrada
Que este lamento ouve.
Velha estrada para o oeste
Não voltarei jamais
Tu já me guiou ao esplendor
Mas hoje teu destino só me traz horror
Ainda que bela
Enfeitada e há pouco recuperada
Nada mais me logra
Senão dor estúpida que degrada.
Velha estrada para o oeste
Não voltarei jamais
Que foi feita de ti, velha companheira?
Naquelas tardes ensolaradas que assistimos juntos ao descansar do astro-rei
Vivi sonhos que não mais viverei
Ainda que tenha me conduzido ao âmago da felicidade
Hoje tu não passa de mero caminho
Que minha lembrança recorda apenas como a mais vil das vaidades.
Gabriel Borçatto.
Detalhes da imagem: A Nona Onda, de Ivan Aivazovsky
